Faleceu Jean Vanier, fundador d’A Arca

Data 07 Maio 2019

Lisboa, 07 mai 2019 (Ecclesia) – O fundador d’A Arca, Jean Vanier, uma comunidade residencial que junta voluntários e pessoas com deficiência, faleceu esta noite, aos 90 anos.

“É com tristeza mas ancorados na esperança da vida eterna que partilhamos que Jean Vanier partiu para os braços de Deus. Que Deus o acolha tal como ele acolheu tantos e tantas, principalmente os mais frágeis”, pode ler-se num comunicado enviado à Agência ECCLESIA pelo Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência, da Igreja Católica em Portugal.

Jean Vanier foi também responsável pela criação do movimento ‘Fé e Luz’, que procura integrar pessoas com deficiência e os seus amigos nas comunidades eclesiais, estando presente em 82 países.

Filósofo, teólogo e humanitário canadiano, Jean Vanier nasceu em 1928; autor de vários livros sobre religião, deficiência, normalidade, sucesso e tolerância, recebeu em 2015 o Prémio Templeton, considerado como o prémio Nobel da espiritualidade.

“Ficamos com o seu legado através das inúmeras publicações que fez, algumas traduzidas para português, e com a responsabilidade de mostrar ao mundo que é na nossa miséria que encontramos o amor de Deus e que as pessoas com deficiência ajudam a encontrá-Lo”, refere a nota.

O assistente espiritual do Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência, o padre António Martins, assinala o visionário “evangélico” e a voz “autorizada” do fundador d’A Arca.

“Jean Vanier foi para todos nós um amigo, um companheiro realista e um profeta do humano. Voz autorizada do catolicismo social francês, visionário evangélico da bem-aventurança da fragilidade e da inclusão. Honramos a sua memória concretizando o seu testemunho. Organizamos pois uma celebração de ação de graças”, assinala numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

No início do mês, Jean Vanier deu entrada numa comunidade d’A Arca, próxima de Paris, em França, afirmando estar “profundamente em paz e cheio de confiança”.

“O meu corpo está fraco, já não me posso levantar e por isso passo o meu tempo todo deitado e faço exercícios com as minhas pernas. Ainda tenho dificuldade em falar, mas penso que isso se pode resolver. Não tenho a certeza do que vai ser o futuro, mas Deus é bom e seja o que for que acontecer, será o melhor”, afirmou a colaboradores próximos.

O Serviço Pastoral lembra a mensagem de “beleza e do grande valor das pessoas com deficiência” que Jean Vanier deixou.

“Lembrou-nos que temos não só que respeitar mas aprender com os mais frágeis, os pequeninos de Deus. Teve uma vida longa e muito bonita ao serviço de Deus e da Igreja”.

Esta tarde, no regresso ao Vaticano desde Skopje, o Papa disse aos jornalistas que estava informado da doença de Jean Vanier e falou com ele, por telefone, há uma semana.

“Quero expressar minha gratidão por este testemunho, um homem que soube ler a força cristã do mistério da morte, da cruz, da doença. Do mistério daqueles que no mundo são descartados. Ele trabalhou não só para os últimos, mas também para aqueles que, antes de nascer, se arriscam a ser condenados à morte. Ele passou a sua vida assim. Graças a ele e graças a Deus por nos dar um homem de tão grande testemunho”, referiu.

O padre Fernando Rosas Magalhães, assistente nacional do movimento ‘Fé e Luz’ – que acolhe pessoas com deficiência mental e suas famílias – convida todas as Comunidades Fé e Luz do norte a reunirem-se na celebração da Eucaristia, esta quarta-feira, na paróquia de São Pedro da Cova, Gondomar.

“Daremos, assim, graças a Deus pelo enorme dom que é Jean Vanier para a Igreja e para o mundo e para o coração daqueles que se deixaram tocar por ele”, refere, numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

LS/OC

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